quinta-feira, fevereiro 23, 2006

AMAR OU ABANDONAR OS INCRÉDULOS?



Como deve viver o povo de Deus quando rodeado de incrédulos?

Foi o que acabou acontecendo com Judá, que perdeu, a exemplo de Israel, sua terra e a liberdade que desfrutava como nação independente de Deus.
O povo fora deportado para a Babilônia e forçado a recomeçar a vida no meio de uma sociedade estranha.
Agora, adorar o Deus verdadeiro - de repente um objetivo atraente de se buscar - tornou-se mais difícil. Rodeados por adoradores de falsos deuses e por religiões mundanas, os judeus tinham de aprender a viver no mundo sem ser do mundo.

Ao serem levados cativos para a Babilônia, os filhos de Israel enfrentavam algumas questões bastante sérias relacionadas à civilidade.
Tinham vivido por longo tempo na própria terra, com regras e instituições que lhes eram familiares. Tinham experimentado a unidade de um povo comprometido (ao menos oficialmente!) com a obediência à vontade de Deus em todos os aspectos da vida.
De repente, porém, eram estrangeiros em um ambiente desconhecido, cercados por uma cultura impregnada de paganismo.
O salmo 137 registra-lhes o argumento pungente: "Como poderíamos cantar as canções do Senhor numa terra estrangeira?" (v. 4). Deus respondeu-lhes o questionamento por intermédio do profeta Jeremias. Vocês devem se estabelecer na terra por um período longo, diz o profeta ao povo: construam casas para morar, plantem sementes, casem-se e tenham filhos; "multipliquem-se e não diminuam" (Jr 29.4-6). E então ele acrescenta uma "declaração política" muito importante: "Busquem a prosperidade da cidade a qual eu os depor-tei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela" (v.7).

Deus estava falando ao povo para não criticarem os novos vizinhos e sim se importar com eles, envolver-se com eles, buscar-lhes o bem.
O Senhor abomina a adoração de falsos deuses e despreza as religiões que em vez de servi-lo, pregam a vida em função do eu. Mas ele não odeia as pessoas em si. Várias vezes nos lembra, por intermédio dos profetas, que ele detesta a maldade mas não o maldoso. Deus quer que todas as pessoas se acheguem a ele e sejam salvas. A própria Bíblia é uma longa mensagem do amor e perdão de Deus para aqueles que não o merecem. Como o povo de Judá, vivemos em uma sociedade em que muitos não seguem a Deus. Podemos de vez em quando nos sentir tentados e ignorá-los ou tratá-los de modo condescendente, mas não é assim que Deus opera. Como ele salienta a importância de nos apegarmos com firmeza a nossas crenças sem transigir, ele também enfatiza a necessidade que amemos os outros com o amor que ele nos mostrou.

Deus está dizendo aos israelitas - e a nós - que nem a indiferença nem a hostilidade é o modo mais adequado de tratar os vizinhos pagãos. Temos de buscar-lhes o bem estar. Na verdade, é na busca do bem estar dos outros que se concretiza o nosso. Quando os cristãos não correspondem aos padrões de bondade e gentileza, deixamos de ser o povo que Deus nos chamou para ser.

Antes de morrer, Jesus exprimiu em oração o maior desejo de Deus. "Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo. [...] Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste" (Jo 17.18,23). Deus se delicia não em punir o pecado mas em trazer os pecadores para junto de si. E optou por nos usar para viver essa mensagem.

Meditação diária

Qual sua atitude para com quem não segue a Jesus? Você se esforça mais para lhes falar de suas convicções ou para tratá-los com amor e bondade? Ore para que as palavras do apóstolo Pedro se tornem realidade em sua vida: "Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês" (I Pe 3.15).